Quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Arquivo do Tribunal de Justiça em Minas Gerais revela documentos sobre a escravidão

Registros históricos guardados em Contagem detalham processos e cartas de alforria de quase trezentos anos no estado.

Por Redação WebTV Unaí14/10/2026 às 17:102 min de leitura
Fonte: g1 Minas Gerais
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Arquivo do Tribunal de Justiça em Minas Gerais revela documentos sobre a escravidão
Imagem: g1 Minas Gerais

Registros inéditos sobre o período da escravidão no Brasil foram encontrados em documentos preservados no Arquivo Permanente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Os papéis integram um conjunto de cerca de 600 mil processos históricos que documentam fatos ocorridos há quase três séculos no território mineiro. Historias reveladas pela equipe de pesquisadores mostram, por exemplo, que pessoas escravizadas com destino a leilão apresentaram cartas de alforria antigas e conseguiram o reconhecimento judicial da liberdade, impedindo a venda. Outro registro do século XIX consiste em uma pequena carta de alforria dobrada repetidas vezes, utilizada por um homem nas ruas para comprovar que era livre durante abordagens. A gerente de Gestão Documental do órgão, Giselle Cesário, pontua que a guarda dos documentos protege direitos e funciona como base de pesquisa histórica. A coordenadora do acervo, Sônia Santos, destaca que o estado de desgaste do papel evidencia a exigência contínua que os libertos enfrentavam para demonstrar a condição de liberdade diante do racismo estrutural vigente. O material documental também expõe a participação de bancos no sistema escravista da época. Conforme os registros, o Banco do Brasil aceitava seres humanos negros como garantia em transações para quitar dívidas de comerciantes e agricultores mineiros. Para a historiadora Júlia Pazzini, a documentação atesta que os indivíduos sofriam mercantilização, podendo ser comercializados, locados ou dados em garantia. O funcionário Marcus Vinicius Ferreira, com uma década de atuação no setor, relata que o manuseio dos inventários e processos altera a compreensão acerca da desumanização descrita na documentação oficial.

Texto da redação a partir de reportagem de g1 Minas Gerais
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